From here to eternity

1.
Passei uns dias pensando em que tipo de homenagem eu prestaria a esse dia, e pensei em video ou algo do gênero. Mas acho que o bom e velho texto seria mais a cara dele. Mas primeiro, eu precisava acreditar. Acreditar que já se passou um ano. Mesmo que alguns dias parecessem a eternidade, no mundo real, passou um ano inteiro. Isso só me lembra do fato que não sou boa o suficiente para homenagear, demonstrar a falta que faz. Agora que eu preciso daquela força, um ano tão importante. Mas no fim não pode ser tudo sobre essa necessidade egoísta. Nunca tive honra maior que ser amiga de gente tão nobre, inteligente, sábia e compreensiva. Me faz odiar o mundo, odiar que as doenças existam, que a morte exista. É ultrajante pensar que fiz nesse ano coisas tão importantes...com 17 anos, idade em que esse tão querido conselheiro se foi. Conhecer pessoas de todo país, assistir de perto sua banda favorita...não é nada, nadinha, perto do que o mestre teria feito. Se tivesse tido tempo. Harry Potter acabou, e como lembrei dele...Essa doce historinha de crianças sonhadoras, que me fez conhecer alguns dos meus melhores amigos, incluindo, é claro, este de quem sinto falta. Jamais esquecerei do quanto me fez aprender, do quanto me fez rir, do quanto me apoiou. Ninguém que o conheceu poderia esquecê-lo de maneira alguma. Posso afirmar que lembrarei e mencionarei pros meus filhos de quem me ajudou na minha formação, no meu crescimento. Depois de um ano, reafirmo: o vazio não se preenche. Gostaria de poder viver por ele tudo o que ele não pôde. Mas uma fração dele ainda vive nos fiéis amigos. Obrigada por cada segundo, Diego Bersot.


♫ Blood Talkin' - Vanguart


by Amanda Lane
2.
Bersot foi uma grande pessoa. Essa é a verdade. Inteligente, culto, criativo, cômico, sagaz. É impossível repor esse tipo de pessoa. Sabemos que ninguém mais faria o que ele fez e o que ainda estaria por fazer, porque era único e insubstituível. Ele era um mestre, com sua forma perfeita de explicar e descrever, e sua habilidade com as palavras. Sem falar de sua amizade, indicações e conselhos. Bersot, foi uma honra ter te conhecido. 


Por João Pedro.

3 comentários:

  1. Pois é... um ano se passou. Porém, ainda lembro como se fosse agora... Hoje o dia está exatamente como estava no dia em que a notícia fora anunciada, tempo frio e pesado, o que piorou quando cheguei e vi duas pessoas chorando em frente a minha casa. Automaticamente meus ombros se curvaram e o desespero invadiu-me: não podia ser! Aproximei-me mais, querendo não acreditar e já tentando controlar as emoções, o que consegui durante um tempo. Entrei em casa, sentei e senti-me anestesiado, parecia que algo se abriria no chão, de alguma forma, e me puxaria para baixo. Recompus-me e caminhei sem pensar em direção a casa dos Bersot's com um resquício de esperança. Ao chegar deparo-me com a mãe em prantos e toda uma multidão tentando acalmá-la, não aguentei: as lágrimas fugiram. Foi o bastante para que no instante seguinte houvesse duas ou três pessoas tentando empurrar-me goela abaixo um enorme copo de água com açúcar. Lembro ter aceitado, e logo seguinte ter subido ao quarto dele para ter uma última prova de que aquilo tudo não era uma brincadeira armada pelo próprio. Tratava a morte de uma forma tão natural que desejei que aquilo fosse uma espécie de teste ou qualquer coisa do gênero. Não estava lá. Como foi doloroso observar todos os objetos de deleite do Diego e saber que aquilo tudo jamais seria tocado novamente por ele. Como desejei matá-lo por ter morrido. Continuei lá até que o quarto se enchia de amigos, alguém perguntou-me se ele já havia comentado comigo alguma coisa sobre doação de órgãos. Sem pensar, disse não; menti. Dias depois lembrei-me de ele ter falado que desejava que seus órgãos fossem doados caso ele morresse antes da maioridade, como quem fala que quer torta de massa podre no almoço... Enfim, após esse dia o mundo tornou-se mais sombrio e cada dia mais eu mergulhava na escuridão, os dias que seguiram foram muito tristes... até hoje é, embora em quantidade muitíssimo menor, para mim. Comecei a me sentir um inútil por não ter descoberto que ele tinha aquela doença e devia procurar tratamento adequado imediato. Por nunca ter-lhe proposto uma troca de, não sei, desejos pós-morte; por não ter dito e ouvido muita coisa... mas com o tempo fui tirando essas ideias da cabeça.
    Bersot foi, indubitavelmente, um mestre. E é de grande dor saber que não teremos mais o prazer de ouvir suas ideias... é um cara sem igual. Sei que é muito clichê, mas as palavras voam quando o assunto é Diego Bersot. O que posso fazer agora é sentir sua falta e sempre lembrar dele e de tudo o que ele ensinou a mim e a muitas outras pessoas. Devemos tomá-lo como exemplo de vida e de morte. Para sempre Diego Bersot!

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  2. sem mais comentários

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  3. Não o conheci, mas pelo que dizem dele, é uma daquelas pessoas que 'descem', fazem o que têm pra fazer (e pessoas boas não têm coisa para fazer por muito tempo) e 'sobem'.

    Para quem acredita no FATO da vida sempiterna, que a morte é apenas um nascimento para uma nova realidade, fica a esperança do reencontro em outra época, em outros mundos, em outra oportunidade, e saber que alguém a quem admiramos tanto (e por isso a amamos) VIVE não apenas nas nossas lembranças, em nossos corações, mas em um outro plano, dói menos, pois não há perda, apenas uma breve separação que o tempo há de resolver num átimo do que se chama ETERNIDADE.

    Para quem acredita que só se vive uma vez, lembro das sábias palavras do escritor de "O Pequeno Príncipe", Antoine de Saint Éxupéry: "Quem vai, não vai só, não nos deixa sós: leva um pouco da gente, deixa um pouco em nós".

    Muita paz.

    Wallace.

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